martes, 18 de septiembre de 2007

Visto que escrevo numa língua


Visto que escrevo numa língua
que aprendi,
que não é a minha,
tenho que despertar
quando os outros dormem.
Escrevo com quem recolhe águas
dos muros,
inspira-me o primeiro sol
das paredes.
Desperto antes de todos
mas em alto.
Escrevo antes que amanheça
quando sou quase o único despeto
e posso equivocar-me
numa língua que aprendi.
Verso ápos verso
busco a prosa deste idioma
que não é o meu
Não busco a poesia,
mas descer do andar alto
em que amanheço.
Verso ápos verso busco,
enquanto os outros dormem,
adiantar-me à lição do dia.
Ouço o ruido da bomba que sobe a agua às cisternas,
e enquanto a agua sober,
desço verso a verso como quem recolhe o idioma dos muros
e chego tão embaixo ás vezes,
tão formoso,
que posso permitir-me,
como um luxo,
alguma lembranza.

Fabio Morábito (1955)*


*Nascido em Alexandria, de pais italianos, passou a sua infancia em Milão e chogou a cidade do México aos 15 anos.

3 comentarios:

Unknown dijo...

Ale!
me alegra mucho saber que la estás pasando tan bien!Cuanta joda loca!!
Acá todo marcha bien, pero se te extraña. Con el Javi las cosas siguen muy bien.
Feliz día del estudiante!Cómo van tus cosas con lo de cerámica?
Besote
NATI

Inés dijo...

Qué lindo este texto Ale, me gusta mucho.

Ale dijo...

Viste que se entiende bastamte?!
Feliz dia del estudiante atrasado para uds. tambbien! aqui no se festeja!!snif (es que se festeja el resto d elos dias) jiji
Gracias nati por tus news!! vas a venir a visitarme al final? envia un email para avisame
besos